O portal Manifesto Petista disponibiliza a publicação “Lula 4: e o debate sobre o programa do Partido dos Trabalhadores” organizado por Maria Carlotto e Valter Pomar e com artigos de Breno Altman, José Dirceu, Natália Sena, Patrick Campos e Suelen Gonçalves, publicado pelo Página 13.
Segue a apresentação do livro:
Este livreto reúne diversos artigos escritos entre janeiro e agosto de 2026, como parte do debate sobre o programa do PT, travado numa das comissões encarregadas de elaborar um projeto de resolução para o Congresso do Partido. Muito poderia ser dito acerca do que aconteceu nessa e em outras comissões do Congresso. Mas o resumo da ópera é que coube à Articulação de Esquerda, ali representada por Maria Carlotto, apresentar um substitutivo global à formulação defendida pela maioria da comissão. Os textos a seguir explicam qual a divergência.
O primeiro texto é uma carta enviada, no dia 25 de janeiro de 2026, por Maria Carlotto a José Dirceu, explicando por qual motivo ela não assinaria o documento elaborado por Dirceu, então coordenador do grupo de trabalho encarregado de elaborar o projeto de programa do PT, a ser debatido no Oitavo Congresso do Partido. Tal projeto foi publicizado em fevereiro de 2026 e pode ser lido na página do Partido.O segundo texto, também de autoria de Maria Carlotto, foi escrito entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2026. Tendo como destinatário a direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda, nele Maria faz uma análise ponto a ponto do referido texto de programa apresentado por José Dirceu. Na sequência, Maria Carlotto e Valter Pomar apresentaram a primeira versão de um texto alternativo. Como resposta indireta a esta proposta alternativa, José Dirceu publicou um artigo intitulado “O caráter da crise do capitalismo”, que incluímos como terceiro texto desta coletânea. Em resposta, Valter Pomar escreveu o artigo “As duas almas de José Dirceu”, que é o quarto texto desta coletânea.Simultaneamente, Breno Altman, Maria Carlotto, Natália Sena, Patrick Campos, Suelen Gonçalves e Valter Pomar assinaram um projeto de resolução intitulado “Socialismo, soberania e direitos”, apresentado ao Oitavo Congresso do Partido, mas não debatido, uma vez que o Congresso foi dividido em duas etapas, remetendo o programa e a organização partidária para esta segunda etapa. Este projeto de resolução alternativo é o quinto texto desta coletânea. O sexto e o sétimo textos da coletânea são, ambos, assinados pela direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda. Um é datado de 26 de abril e faz um balanço do oitavo congresso do PT. O outro é de 3 de julho e intitula-se “o futuro do Brasil está sob ameaça”. O penúltimo texto desta coletânea é assinado por Valter Pomar, foi publicado dia 11 de agosto e comenta o programa que a coligação que apoia Lula inscreveu no TSE. Finalmente temos um texto de Maria Carlotto, concluído no dia 26 de agosto, que trata da necessidade de rompermos com o “círculo vicioso” que caracteriza a história do Brasil.
A tese implícita em todos os textos – com a exceção parcial daquele assinado por Dirceu – é que ganharemos a eleição de 2026 e faremos um quarto mandato Lula superior ao atual, se disputarmos o futuro. E essa disputa deve aparecer no programa de governo, e principalmente no programa do Partido. No programa de governo, não basta comparar realizações, nem tampouco alertar para o desastre que resultaria de uma volta da extrema-direita associada ao imperialismo. É preciso, em primeiro lugar, oferecer à maioria do povo brasileiro – trabalhadores, negros, mulheres, juventude – a certeza de que, se o PT continuar governando o país, o Brasil vai dar um salto de qualidade em direção a um futuro melhor. Como é óbvio, isso significa enfrentar o Novo Marco Fiscal, a política de juros, o agronegócio, todas as direitas e o imperialismo. No programa do Partido, isso significa, antes de mais nada, enfrentar a mediocridade programática e estratégica. O que implica em recolocar o socialismo no centro de nossas formulações. Na opinião da AE, tais formulações programáticas não deveriam ser feitas depois da eleição, mas antes. Não deveram ser feitas depois que ganharmos, mas antes, inclusive para ajudar a garantir que vençamos e vencamos em melhores condições. Não tivemos êxito em convencer a comissão disso. Nem conseguimos convencer o Partido, que adiou o debate sobre programa para 2027. A lacuna está cobrando seu preço, motivo pelo qual decidimos divulgar este livreto ainda em agosto de 2026. Boa leitura, boa campanha, boa luta para toda nossa gente!
Maria Carlotto
Valter Pomar
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