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A Portaria de Morte no Natal do Ministro da Saúde para o SUS

Se divulga ações de saúde no varejo e se mata o Sistema Único de Saúde (SUS) no atacado.

As campanhas publicitárias do Ministério da Saúde estão ótimas, mas por dentro o SUS morre.  

17ª Conferência Nacional de Saúde, órgão máximo deliberativo SUS, definiu que o SUS deveria ir sendo desprivatizado gradativamente, cada vez mais público, e cada vez menos privado.  

Resolução 715 do Conselho Nacional de Saúde

ORIENTAÇÕES PARA O PLANO PLURIANUAL 2024-2027 E PARA O PLANO NACIONAL DE SAÚDE 2024-2027 A PARTIR DAS DIRETRIZES APROVADAS NA 17ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE DE 02 A 05 DE JULHO DE 2023

Ítem 14. Implementar o SUS através de serviços e servidores públicos, superando todas as formas de privatização na saúde (OS, OSCIP, PP, FEDP, EBSERH), com instituição de cronograma de ações para esse fim.  

Ítem 50. Criar a Carreira Única Interfederativa, com financiamento tripartite, piso salarial nacional para todas as categorias profissionais, com contratação exclusiva por concurso público, combate à terceirização, valorização das pessoas trabalhadoras da saúde e priorização das que trabalham no território, ampliação das políticas de educação permanente, atendendo as reais necessidades da população brasileira.

O Governo Lula caminha no sentido da completa privatização do SUS com pujança na execução do projeto. O Governo Lula não acredita no sistema público, seus entes em sua grande maioria têm planos de saúde privados sustentados com a renúncia fiscal, descontos no IR das despesas de saúde, mas governam o SUS dos pobres e oprimidos.  

Esse governo não acredita no servidor público da saúde. Não faz nada para implementar  a Carreira Única Nacional Multiprofissional e Interfederativa definida como exigência necessária desde 1990 na Lei 8080/1990.  Há anos Não se contrata profissionais por concurso para o Ministério da Saúde, que aglutina milhares de bolsistas de fundações privadas como OPAS e FIOTEC, sem estabilidade, muitos operando sem liberdade técnica, sem poder exercer os princípios da Administração Pública, porque não têm estabilidade.

Formou-se um comando nocivo e privatista no Ministério da Saúde, que necessita ter investigados conflitos de interesses, que atuava e atua no privado através de múltiplas empresas, e agora atua no público, e que se mostra eficiente e eficaz, altamente operativo para colocar os recursos milionários do SUS no mercado da doença das instituições privadas, e divulga-se como grande feito o contrato dessas empresas privadas, pagando-se publicidade caríssima. Divulga-se como vantagem a troca de dívidas bilionárias oriundas de sonegação fiscal e de apropriação indébita de recursos dos salários dos trabalhadores previdenciários descontados nos contracheques e não recolhidos, por promessa de serviços para o SUS.

A população está sendo desrespeitada.  Segue-se a implantação de propostas para o SUS híbrido que financia o privado com dinheiro público, antagônico ao SUS Público e Estatal definido pelos Delegados da 17ª Conferência Nacional de Saúde.    

O Conselho Nacional de Saúde é contemplativo, permissivo, omisso, desrespeitoso para com os usuários do SUS, fazendo da inércia uma arma contra a população que representa, e que vê o SUS sendo privatizado e destruído.

E, nesse momento, no vácuo da ausência formal de reuniões regulares dos fóruns do controle social, dos parlamentos, das instituições públicas desaceleradas por férias, ao mesmo tempo em que são anunciados cortes orçamentários na saúde e na educação para pagar emendas parlamentares, publicam-se portarias impactantes com liberações bilionárias de recursos públicos do SUS pra a rede privada  de recursos públicos federais, para financiar ações e serviços públicos de saúde, que são  dever do Estado, da União, dos Municípios.

Foi publicada nesse 26 de dezembro de 2025 o escândalo autoritário ilegítimo da Portaria GM 9760, que “Estabelece recurso financeiro do Bloco de Manutenção das Ações e Serviços Públicos de Saúde – Grupo de Atenção Especializada, a ser disponibilizado a estados, Distrito Federal e municípios, visando ao fortalecimento da Programa Agora tem Especialistas, instituído pela Lei nº 15.233, de 7 de outubro de 2025, e o atendimento ao que dispõe a Lei nº 14.820, de 16 de janeiro de 2024.”

O Governo Federal perdeu completamente o respeito pelos fóruns deliberativos oficiais da saúde, leva a presidenta do CNS para passear em viagens internacionais, a coloca para sentar ao lado do Ministro da Saúde, e aniquila suas representações  com seus emudecimentos, aniquila  o poder da autenticidade representativa forjada na democracia participativa, faz calar as vozes que deveriam se pronunciar embasadas nos cadernos das propostas aprovadas na 17ª Conferência Nacional de Saúde, que se tornam arquivos mortos sob o silêncio   dos Conselheiros do  Conselho Nacional de Saúde e da sua Presidenta.

Com a proposta do Agora Tem Especialistas colocando o aumento do aporte os recursos públicos  para o setor privado (que já ultrapassavam 60% do orçamento da saúde até 2024), o Governo Lula vem decretar a morte do SUS, pois se o orçamento federal para a saúde já é pouco para o sistema público, imagina ter de  sustentar  sistemas públicos e privados com o mesmo orçamento.   Mantém-se as políticas de austeridade fiscal, de remuneração privilegiada com juros altos para capital especulativo de banqueiros, sem perspectiva de ter de onde tirar mais recursos para o SUS, e agora, o Ministro Alexandre Padilha e sua Equipe da Secretaria de Atenção Especializada em Saúde decidiram repassar 1 bilhão de reais  para instituições privadas nesse 26 de dezembro de 2025.

Não houve consulta a nenhum conselho de saúde municipal, estadual ou federal para definir repasses  de recursos para instituições nos seus territórios.  Essa oferta de 1 bilhão de  reais é autoritária, desrespeita os órgãos do controle social, desrespeita os princípios constitucionais do Sistema Único de Saúde, onde a iniciativa privada pode participar de forma complementar e temporária, eventualmente, até que a rede pública, obedecendo princípios de planejamento em saúde se estruture para executar as próprias ações que lhes são inerentes como obrigação, dever de estado.   

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