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O Partido dos Trabalhadores precisa desenvolver uma estratégia para navegar a fase de caos em que o sistema internacional já se encontra

  1. O mundo vive um período marcado por grandes incertezas e enormes perigos. Decadente, desmoralizado e sem a clareza estratégica que marcou sua ascensão à condição de Estado hegemônico mundial, o império estadunidense recorrerá a todos os meios de que dispõe – diplomáticos, econômicos, tecnológicos, militares, e se preciso nucleares – para restabelecer sua condição de potência hegemônica. O mundo que surgirá desse processo em nada se parecerá com o mundo no qual a imensa maioria das pessoas hoje vivas nasceram, marcado pela chamada ordem internacional liberal. Nada será (e muita coisa já não é) como antes.
  2. A política internacional dos EUA está toda, em maior ou menor grau, orientada pela tentativa de conter e cercar a China, limitando ao máximo seus espaços de atuação comercial, diplomática e cultural. Das agressões imperialistas na Venezuela e no Irã às ameaças de anexar a Groenlândia, passando pelo apoio à ascensão do militarismo no Japão militarista e do independentismo em Taiwan, cada ação dos EUA na esfera internacional tem como objetivo último tentar impor uma derrota estratégica à China.
  3. No dia 3 de janeiro de 2026 os Estados Unidos deram novo passo em direção à subversão da ordem internacional em que o império sustentou seu poder desde o final da II Guerra Mundial com o ataque à Venezuela e o sequestro de seu presidente Nicolás Maduro e de sua companheira Cília Flores. O ataque custou quase uma centena de vidas, entre elas a de 32 militares cubanos que faziam a proteção pessoal do presidente Maduro.
  4. Que tenham sido militares cubanos – e não brasileiros, mexicanos, colombianos ou argentinos, entre outros – é altamente revelador do que se passa na América Latina. Contando com poucos aliados regionais, papel outrora desempenhado pelo Brasil, restou à Venezuela recorrer a seu pequeno vizinho caribenho para tentar, com pouquíssima chance de sucesso (como a ação dos EUA demonstraria no dia 3 de janeiro) sustentar sua soberania diante das sanções dos EUA.
  5. O quadro geopolítico em que a Venezuela se encontrava na última década e meia era dos mais difíceis. Inaugurada com o golpe contra o presidente do Paraguai Fernando Lugo em junho de 2012, a América Latina assistiria a uma onda de golpes parlamentares coordenados pelos EUA com as elites locais latino-americanas que resultariam quatro anos mais tarde no golpe contra a presidente Dilma e que tiveram na tentativa de golpe contra o presidente Lula de 8 de janeiro de 2023 um sombrio alerta de que a nova postura do imperialismo estadunidense para a região veio para ficar.
  6. Internamente, a Venezuela entrou em nova e mais difícil fase de seu processo revolucionário: a morte do presidente Hugo Chávez em março de 2013 colocou a revolução bolivariana diante da difícil tarefa de fazer uma transição de poder ordenada e que não mais dispunha da liderança e carisma de seu iniciador. A direita venezuelana, sob proteção e incentivo dos EUA e da União Europeia, adotou uma estratégia já clássica de subversão do poder popular na América Latina que combinava participação em eleições e denúncia, ainda antes dos pleitos, da legitimidade dos resultados – exceto, claro, na possibilidade de vitória eleitoral da direita. A participação dissimulada nas eleições servia apenas como justificativa para a tentativa de golpe que se seguiria ao final das eleições.
  7. A renovada atenção que os EUA dedicariam à América Latina desde então deve ser entendida no quadro mais geral das transformações causadas no sistema internacional pela ascensão da China e a consequente alteração no balanço de poder mundial. A ascensão da China teve resultados desiguais para a região: por um lado, deu importante impulso ao crescimento econômico dos países da América Latina; por outro, reinseriu a região no rol de preocupações estratégicas dos EUA. A América Latina passou à condição de campo de disputa geopolítica entre Estados Unidos e China.
  8. O “pivô para a América Latina” que os EUA realizaram no começo da década de 2010 nada mais foi do que o desdobramento regional do “pivô para a Ásia” que a política externa dos EUA começava a realizar na mesma época. Os eventos da política internacional dos últimos quinze anos devem ser vistos no quadro da ascensão da China e da tentativa estadunidense de se contrapor à China e de reafirmar seu poder global.
  9. Se em grande parte dos países da América Latina a estratégia dos EUA de se contrapor politicamente à influência da China foi bem-sucedida ao promover a onda de golpes contra os governos de esquerda da região, do ponto de vista econômico os EUA não só não foram capazes de conter o peso da China como seguiram perdendo espaço nas relações econômicas na região.
  10. O contexto interno e regional altamente desfavorável à continuidade da revolução bolivariana abriu espaço para que a Venezuela aprofundasse suas relações com dois poderosos atores extra-regionais como elemento de balanço de poder contra os EUA: a Rússia e a China. Por uma década, a política externa de equilíbrio de poder da Venezuela conseguiu fazer frente às sanções dos EUA e às tentativas de golpe contra o presidente Maduro: a Rússia manteve o comércio de equipamentos militares com a Venezuela e a China virou a principal fonte de investimentos no setor energético venezuelano.
  11. A estratégia venezuelana começou a se esgotar em maio de 2025 por ocasião das eleições presidenciais vencidas por Nicolás Maduro. O roteiro se repetiu: a oposição novamente lançou candidato e, ato contínuo, declarou não aceitar outro resultado que não fosse sua vitória. Contados os votos, que deram a vitória a Nicolás Maduro, instalou-se a crise que resultaria no sequestro do presidente Maduro e de sua companheira Cília Flores.
  12. Apartando-se de longeva tradição de sua política externa, o Brasil atribuiu-se o papel de parte verificadora da lisura das eleições venezuelanas. Diante da anunciada contestação dos resultados pela oposição derrotada, o Brasil adotou postura que se mostraria profundamente contrária e mesmo deletéria aos interesses brasileiros: recusou-se a reconhecer a eleição de Maduro, deixando nosso vizinho em um limbo diplomático conosco. Em termos concretos, com essa postura o Brasil se retirava do papel de país que poderia, e deveria, ter participação na política internacional da América Latina. Os destinos da Venezuela e da América Latina de modo geral? “Isto é lá convosco”.
  13. São esses os eventos que precederam e prepararam o ataque e sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores em 3 de janeiro de 2026. Para facilitar a compreensão do que estava acontecendo, Trump declarou tratar-se da Doutrina Donroe, que combinava a Doutrina Monroe (1823) e o Corolário Roosevelt (1904) atualizados para o século XXI e, em seu estilo direto, explicou: viemos pelo petróleo.
  14. É nesse quadro que se deve analisar a conjuntura internacional dos primeiros três meses de 2026. Longe de ser uma ação isolada e impensada, o ataque à Venezuela foi passo preparatório da guerra ilegal declarada unilateralmente pelos EUA e por Israel contra a República Islâmica do Irã, que por sua vez é parte do movimento de contenção e cerco militar dos EUA contra a China.
  15. Antes de avançar na análise da guerra contra o Irã, é preciso ter clareza sobre o que é a República Islâmica do Irã. Trata-se, essencialmente, da forma possível da revolução nacionalista, antiimperialista e em busca da autodeterminação no Irã no final da década de 1970. É em relação às contradições da República Islâmica do Irã – seu caráter teocrático, seu desrespeito aos direitos das mulheres e pessoas LGBTQIA+, por um lado; e seu direito à autodeterminação e à existência, por outro – que a esquerda deve assumir uma posição sem lugar para vacilações: a resistência do Irã à agressão imperialista e sionista é parte da histórica luta do Sul Global para derrotar as forças que se opõem à emancipação das pessoas oprimidas em todo mundo.
  16. Iniciada durante negociações sobre o programa nuclear iraniano, a guerra de Israel e EUA contra o Irã extravasa os limites da região e revela-se etapa fundamental da estratégia estadunidense de contenção e cercamento da China. De fato, a posição geográfica do Irã é das mais importantes para conectar através do corredor terrestre da Iniciativa Cinturão e Rota a China ao oeste da Ásia, ao Oriente Médio e à Europa. Sem atravessar o Irã, o corredor terrestre perde grande parte de sua significância estratégica para a China, uma vez que impede um acesso seguro e regular ao petróleo e gás do Irã e do Oriente Médio e aos mercados europeus. As intervenções dos EUA, por vezes liderando países da OTAN, e por Israel no Oriente Médio e no norte da África desde 2011 vinham até agora resultando em um rearranjo profundo do balanço de poder na região ao deslocar os partidos e lideranças históricas que herdaram as tradições anticolonialistas e pan-arabistas que marcaram os processos de libertação nacional nos anos 1950 e 1960 – herança esta que não poucas vezes degenerou em governos autoritários com forte componente sectário religioso e étnico. Iraque, Líbia e Síria são os casos mais conhecidos, porém não os únicos, do que significaram as campanhas militares da coalização militar lideradas pelos EUA nos últimos 40 anos e que haviam encontrado seu primeiro momento de grande vitória estratégica nas intervenções que se seguiram à Primavera Árabe em 2011. A guerra de Israel contra a Palestina representou o momento de maior avanço das campanhas militares contra os países do Oriente Médio não-alinhados aos EUA ou a Israel. O amplo arco de alianças que EUA e Israel estabeleceram com as monarquias do Golfo, bem como a derrota tática do Hamas em Gaza e do Hezbollah no sul do Líbano mais a queda de Bashr al-Assad na Síria representaram importante golpe para o Irã e para os interesses russos e chineses no Oriente Médio, que na ocasião perdera seus mais importantes aliados regionais e um aliado extra-regional de peso, a Rússia, ocupada com a guerra por procuração da OTAN travada em sua fronteira com a Ucrânia.
  17. O isolamento do Irã parecia indicar que os EUA obteriam um dupla vitória estratégica esmagadora no Oriente Médio. Por um lado, estava aberto o caminho para o estabelecimento da Grande Israel, ideologia político-teológica messiânica e milenarista que se baseia na ideia de que a ocupação por Israel dos territórios que se estendem das margens do Nilo às margens do Eufrates é um direito divino, ideologia que une sionistas judeus e cristãos em uma guerra com fortes componentes religiosos e supremacistas contra os povos do Oriente Médio e do norte da África. Por outro, os EUA estavam cada vez mais perto de completar a expulsão das outras duas grandes potências com importantes interesses na região, a Rússia (a bem da verdade já bastante enfraquecida) e a China.
  18. Os ataques de EUA e Israel contra o Irã no dia 28 de fevereiro de 2026 deveriam servir como grand finale das campanhas militares imperialistas no Oriente Médio e como capítulo inicial de uma nova rodada de avanços dos EUA no sentido de conter e cercar a China. De imediato a guerra revelou novidades importantíssimas: Israel e EUA declararam e executaram seu intento de assassinar o líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Este fato que, somado aos pesados bombardeios que o Irã sofreu no início da guerra, parecia anunciar uma vitória rápida, fácil e definitiva dos EUA e de Israel contra a República Islâmica do Irã, no entanto, teve um alcance inesperadamente limitado. O Irã engajou-se na guerra com contra-ataques a Israel e a bases dos EUA na região, elegeu o filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, líder supremo, e então fechou de facto o Estreito de Ormuz à passagem de navios petroleiros.
  19. Por ora, o Irã mostra a mais aguerrida disposição de resistir e contra-atacar EUA, Israel e as monarquias do Golfo que apoiam a agressão ao Irã. Além de manter a pressão militar sobre EUA, Israel e as monarquias do Golfo com bombardeios, o Irã está recorrendo à redução forçada da oferta de petróleo e gás como armas cujos efeitos são verdadeiramente globais e potencialmente destrutivos para a economia mundial.
  20. A China é uma das principais interessadas no sucesso iraniano na guerra – sucesso que deve ser entendido como a sobrevivência da República Islâmica do Irã. A eventual queda da República Islâmica do Irã e sua substituição por um regime vassalo dos EUA e de Israel teria duas consequências graves para a China: as importações de petróleo e gás do Irã pela China passariam ao controle dos EUA; e o corredor terrestre da Iniciativa Cinturão e Rota estaria irremediavelmente bloqueado, estendendo-se da China até a Ásia Central, região nem de perto tão importante geopoliticamente para a China quanto o Oriente Médio e a Europa por causa do petróleo e gás daquela região e dos mercados desta.
  21. Na eventualidade da derrota da República Islâmica do Irã e sua substituição por um governo vassalo diretamente controlado pelos EUA, restaria à China o corredor marítimo da Iniciativa Cinturão e Rota. Este, no entanto, apresenta ainda mais dificuldades geopolíticas do que o corredor terrestre: além do maior custo e menor eficiência do transporte marítimo em relação a modais terrestres e infraestruturas de transporte de petróleo e gás ligando a China ao Oriente Médio e à Europa, o transporte marítimo da China em direção ao oeste é altamente vulnerável ao gargalo representado pelo Estreito de Málaca, que conecta o Mar do Sul da China e o Pacífico ao Oceano Índico, que pode ser facilmente fechado à passagem de navios.
  22. Por causa dos estreitos e profundos interesses comerciais e políticos que unem o Brasil e a América do Sul à China, qualquer interrupção ou mesmo redução do comércio da região à China terá efeitos muito amplos e debilitantes sobre os países da região.

Algumas (das muitas) tarefas do Partido dos Trabalhadores

  1. Pelas razões acima expostas, é preciso que o Partido dos Trabalhadores tome uma série de iniciativas no sentido de consolidar uma estratégia de política internacional que permita ao Partido e ao Brasil conhecer e navegar as águas da política internacional em face das importantes mudanças em curso:
  2. O Partido dos Trabalhadores precisa aprofundar seu conhecimento e suas relações com a Ásia de modo geral. Além da China, com quem o Partido tem sólidas relações e bastante conhecimento acumulado, deve ser dada prioridade à produção de conhecimento e ao estabelecimento de relações com países do sul, do leste e do sudeste da Ásia, entre eles Índia, Coreia do Sul, Japão, Vietnã, Malásia e Indonésia. Para isso, o Partido deve realizar seminários regulares sobre a política internacional da Ásia e organizar missões para esses países.
  3. O Partido dos Trabalhadores também deve dedicar maior atenção à Ásia Ocidental, com ênfase no Oriente Médio e na região do Cáucaso, aprofundando o conhecimento sobre a região quando houver pouco conhecimento sistemático acumulado, problema muito maior no caso do Cáucaso do que do Oriente Médio.
  4. Além dessas regiões, o Partido dos Trabalhadores deve se dedicar a conhecer com mais profundidade a Ásia Central, uma vez que os Estados Unidos estão executando uma ampla campanha militar global em direção ao leste (Ucrânia, Oriente Médio, Irã), tornando muito possível que as disputas geopolíticas continuem avançando para a Ásia Central numa próxima etapa da estratégia de contenção e cercamento da China pelos EUA.
  5. O Partido dos Trabalhadores deve compreender que o futuro do Brasil dependerá de nos anteciparmos ao reordenamento geopolítico em curso e de dispormos de uma rota alternativa aos postos do litoral Atlântico para mantermos nosso comércio com a China em especial e com a Ásia de modo geral. Para isso, nada é mais importante do que concluir a rota bioceânica rodoviária e dar início à construção da rota bioceânica ferroviária, que permitirão o escoamento dos produtos brasileiros por portos do Pacífico. É de fundamental importância que o Brasil retome seu papel de líder regional e de fonte de financiamento da infraestrutura que manterá o país conectado ao Pacífico e assim à Ásia.
  6. A política externa do Partido dos Trabalhadores para o período 2027/2030 deverá, consequentemente, acompanhar o deslocamento do centro dinâmico da economia global e das grandes questões geopolíticas em direção à Ásia e ao Índico-Pacífico, o mesmo valendo para a política externa brasileira.
  7. A retomada e fortalecimento das iniciativas que envolvem países do Sul Global precisa se tornar prioridade da política externa brasileira para o período 2027/2030.
  8. Em relação ao programa de política internacional do Partido dos Trabalhadores, será preciso retomar a prática de produzir conhecimento e refletir sobre as múltiplas e variadas trajetórias de desenvolvimento de países pouco ou não-alinhados aos EUA para disseminar suas experiências para os quadros do Partido.
  9. O Partido dos Trabalhadores deve compreender que não é possível desenvolver as forças produtivas do Brasil sem avanços significativos na ciência, tecnologia e inovação (CTI). Para tanto, além do desenvolvimento interno da CTI, o Brasil precisará estabelecer mecanismos de transferência e absorção de conhecimento de países mais avançados em CTI por meio da identificação de tecnologias maduras ou trajetórias tecnológicas mais promissoras. A escolha de parceiros internacionais para estabelecer colaborações em CTI, contudo, é antes de tudo uma decisão político-estratégica que deve levar em conta o contexto geopolítico atual e os possíveis cenários futuros de inserção internacional do Brasil. Para realizar essa tarefa, o Partido deve sistematizar conhecimentos sobre o panorama da CTI global recomendando aos grupos regionais de análise de conjuntura da SRI que incorporem a suas tarefas a acompanhamento da CTI das respectivas regiões. Além disso, o Partido deve organizar seminários internos sobre CTI e missões internacionais de diálogo e prospecção na área de CTI envolvendo dirigentes e cientistas convidados.
  10. O Partido dos Trabalhadores deve compreender que nos próximos anos as tensões que vêm se acumulando no sistema internacional no último quarto de século se tornarão mais, e não menos, agudas. O recurso à intervenção militar e à guerra será cada vez mais frequente e nenhum país fraco estará a salvo de intervenções estrangeiras dos mais variados tipos: ataques cibernéticos, guerras híbridas, sanções, sequestro e assassinato de líderes políticos, ataques militares e no limite ocupação militar.
  11. A exemplo do Irã, o Brasil deve começar a se preparar para a se defender na guerra em que mais cedo do que tarde o mundo mergulhará, atualizando sua doutrina de defesa e buscando conquistar autonomia no desenvolvimento e produção de equipamentos de defesa capazes de sustentar uma guerra defensiva assimétrica contra potências hemisféricas ou extra-hemisféricas mais avançadas tecnológica e militarmente.
  12. O Partido dos Trabalhadores precisa liderar a discussão sobre o as novas formas de guerra que estão surgindo e suas implicações para o Brasil. É fundamental que segmentos mais amplos da sociedade brasileira se envolvem diretamente nas discussões sobre a Política Nacional de Defesa (PND), a Estratégia Nacional de Defesa (END) e o Livro Branco da Defesa Nacional (LBDN). A formação doutrinária dos membros das Força Armadas, em especial em sua dimensão ética e moral, deve ser aprimorada orientada em direção à formação de quadros submetidos ao ordenamento constitucional e subordinados ao comando civil. A Base Industrial de Defesa (BID) deverá ser fortalecida com orçamento estável intra e inter governos. O desenvolvimento tecnológico e industrial da BID deve se preparar para um cenário de guerra defensiva assimétrica contra potências hemisféricas ou extra hemisféricas com superioridade tecnológica e de equipamentos.
  13. O Partido dos Trabalhadores deve liderar a reflexão sobre as implicações de um mundo cada vez nuclearizado e disposto a usar armas nucleares. Para países como o Brasil, que optaram por não desenvolver armas nucleares, os cenários de conflito que surgem no horizonte dos próximos dez anos colocam grandes desafios que exigirão ajustes em seus respectivos compromissos nucleares internacionais. O Partido precisa liderar a discussão sobre o contexto nuclear internacional e desenvolver uma estratégia de política internacional que minore as desvantagens militares decorrentes da opção não nuclear do Brasil.

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