
1. A condução política e seus efeitos
A reta final da janela partidária confirma alertas feitos no PED. A condução do partido por uma de nossas principais lideranças políticas, o Senador, somada à decisão de construir duas candidaturas ao Senado, tem um custo político alto para o PT.
Havia consenso na direção partidária sobre a necessidade de fortalecer as chapas proporcionais e evitar seu sacrifício em função da disputa majoritária com uma chapa pura sangue. Também havia consenso sobre impedir a filiação de deputados estaduais na federação. No entanto, isso não se traduziu em garantias. Ao final da janela, consolidou- se o sacrifício das chapas do PT.
A projeção é de redução da nossa bancada de deputados federais. Na chapa de deputados estaduais, os novos filiados ao PT, um deles sequer debatido ou aprovado pela direção, somados aos deputados de direita que ingressaram na federação, tendem mais uma vez a impedir a eleição de petistas.
Nos últimos meses, decisões equivocadas e personalistas, tomadas fora das instâncias partidárias, agravaram uma composição de chapa que já era difícil. Consolidou-se uma prática em que lideranças se colocam acima da direção partidária.
Foi essa prática que permitiu a filiação de Angelo Almeida sem qualquer debate prévio na Executiva estadual. Como resposta ao absurdo, anunciou-se uma reunião posterior apenas para referendar uma filiação já efetivada no sistema, após o prazo da janela.
Na sexta-feira, 3 de abril, a Executiva estadual votou sobre o aceite do PT à entrada, na federação, de deputados de mandato. Houve unanimidade favorável a Fabíola Mansur e unanimidade contrária à entrada de Antônio Henrique, que já havia sido anunciado no PV junto com Eduardo Salles.
Ainda assim, a entrada de Eduardo Salles na federação foi aprovada pela maioria. Foram 13 votos a favor e 11 contra. Votamos contra.
Eduardo Salles e Antônio Henrique não são, nem nunca foram, de esquerda. Sua entrada na federação representa oportunismo político-eleitoral e prejudica a construção de uma bancada comprometida com o campo popular.
Não houve debate na federação sobre a filiação de Antônio Henrique. O PV conduziu o processo de forma atropelada e inaceitável.
Na mesma linha, a poucas horas do fechamento da janela, o presidente do PT informou que Angelo Almeida havia solicitado filiação e que seria incluído no sistema para debate posterior na Executiva. Ou seja, Angelo, que sequer foi debatido, pediu filiação nas últimas horas e foi aceito sem autorização da direção estadual.
Angelo, que já foi do PT e deixou o partido, retorna agora por cálculo eleitoral. Qual foi o debate político que sustentou esse retorno? Qual compromisso foi apresentado?
Por que permitir a permanência no partido de quem não demonstra compromisso com o projeto coletivo, mas apenas com seu próprio cálculo eleitoral? Que tipo de partido estamos construindo? Um partido ou apenas uma legenda?
2. Sobre a saída das mulheres
O PT foi pioneiro ao conquistar cotas de gênero na direção partidária em 1991 e paridade em 2011. As mulheres sempre estiveram na linha de frente da construção partidária e das políticas públicas.
É a partir dessa trajetória que olhamos o presente. Não estamos bem na Bahia. Vivemos um momento de perdas e inquietação, especialmente para as mulheres.
Uma chapa majoritária formada apenas por homens e a saída de companheiras históricas exigem reflexão. Quando mulheres com trajetória e base social, como Elisâgela Araujo Moema Gramacho, não encontram no partido espaço real de disputa eleitoral, há um problema político a enfrentar.
Esse debate precisa ser feito internamente, com franqueza e compromisso coletivo. É necessário construir o planejamento antecipado das candidaturas e a valorização das mulheres enquanto quadros políticos, especialmente as que estiverem fora do governo. Potencializar nossas mulheres para ampliar a nossa capacidade de eleger mulheres nas nossas bancadas.
Diante do avanço da misoginia e da violência, o papel das mulheres do PT é ainda mais decisivo. Precisamos estar organizadas e fortalecidas. Precisamos garantir que no PT as mulheres que são da luta social consigam se eleger.
3. Diante desse cenário
Entraremos com recurso ao Diretório Estadual do PT para solicitar uma posição firme de que Ângelo Almeida, Eduardo Salles e Antônio Henrique não tenham legenda na federação. O Diretório deve negar a filiação de Ângelo Almeida e rever a decisão da Executiva, não concordando com a entrada de Eduardo Salles na Federação Brasil da Esperança.
Não se trata de vetar filiações ao PV. Mas o PT tem, por acordo feito na federação, a prerrogativa de não aceitar filiação de mandatários. Estamos em uma federação, e a composição da chapa é resultado de pactuação entre os partidos. O PV não pode contar com a concordância do PT para incluir esses mandatários em nossa chapa, fazendo com que os votos do nosso campo político contribuam para eleger quem não tem identidade com o nosso programa.
Por fim, preocupa que quadros públicos do partido atuem como se o PT tivesse dono, afastando-o das decisões centrais. Os erros recentes evidenciam a necessidade de uma condução coletiva e do retorno do partido ao centro do debate.
Coletivo Avante PT, Socialista e Militante – Tendência interna do PT