Aprovado em 6 de fevereiro de 2019, o Projeto de Resolução nº09/2019 da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) cassou a concessão, pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro, da Medalha Tiradentes para Adriano da Nóbrega, por seu envolvimento com homicídios e o crime organizado. O ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar (PM) Adriano da Nóbrega era matador profissional. Apesar disso – ou justamente por isso –, recebeu duas homenagens oficiais do deputado Flávio Bolsonaro. E a gratidão de Flávio não ficou apenas na Moção de Louvor e na Medalha, ele também contratou para o seu gabinete na Alerj a mulher e a mãe de Adriano, por intermédio do amigo comum Fabrício Queiroz. (A jornalista Juliana Dal Piva relata com detalhes e documentos essa participação de Queiroz, em seu livro “O Negócio do Jair: A história proibida do clã Bolsonaro”.)
Flávio visitou Adriano da Nóbrega quando ele estava preso por acusação de homicídio. E conseguiu aprovar a homenagem na Alerj, lhe entregando a Medalha na prisão. Tanto esforço do deputado por um (à época) tenente da PM passa a impressão de haver algo mais do que admiração por um “bom policial, cumpridor dos seus deveres”.
Adriano da Nóbrega foi morto pela Polícia Militar na Bahia, dia 9 de fevereiro de 2020. Levou com ele a informação que Flávio Bolsonaro deve ao eleitorado brasileiro: o que o matador profissional Adriano da Nóbrega fez para ele, para merecer tanta solidariedade de sua parte?
Coincidências criminosas
Essa informação que falta, no caso do Adriano da Nóbrega, já está parcialmente respondida no caso do ex-sargento da PM Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Também matador profissional, Ronnie Lessa morava no condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, por coincidência o mesmo onde Jair Bolsonaro residia. Eram vizinhos, pode-se dizer. E foi na casa de um outro vizinho de Ronnie Lessa e de Jair Bolsonaro que a Polícia encontrou, no dia 12 de março de 2019, um verdadeiro arsenal: 117 fuzis de guerra M-16.
O jornalista Bob Fernandes explica detalhadamente a relação de Ronnie Lessa e de Bolsonaro pai.
Agora já se sabe que o miliciano Robson Calixto Fonseca, vulgo “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no duplo assassinato, conseguiu emenda parlamentar do senador Flávio Bolsonaro, no valor de R$200 mil.
Adriano da Nóbrega, Fabrício Queiroz, Ronnie Lessa, Robson Fonseca, e os Bolsonaro têm muitas histórias juntos, algumas delas até já publicadas em outros livros: “Como nasce um miliciano: A rede criminosa que cresceu dentro do Estado e domina o Brasil”, (Cecília Olliveira); “A república das milícias: Dos esquadrões da morte à era Bolsonaro” (Bruno Paes Manso); “Milicianos: Como agentes formados para combater o crime passaram a matar a serviço dele” (Rafael Soares); e “Decaído: A história do capitão do Bope Adriano da Nóbrega e suas ligações com a máfia do jogo, a milícia e o clã Bolsonaro” (Sérgio Ramalho).
A informação que falta, do porquê de tanta gratidão de Flávio em relação ao matador profissional Adriano de Nóbrega, essa ele continuará devendo, até porque falar a verdade não é com ele, como atesta o Portal “Aos Fatos”, a respeito da sua relação com Daniel Vorcaro, do banco Master.
https://www.aosfatos.org/noticias/flavio-mentiu-ao-menos-43-vezes-sobre-envolvimento-com-vorcaro