Conhecendo-se parte do que foi realizado pela (agora se sabe) “Operação STF”, sob a liderança operacional de Daniel Vorcaro e o comando político da extrema-direita, já é possível compreender que, muito mais do que fraudes no sistema financeiro, se trata da continuidade do golpe de Estado no Brasil, tendo como alvo o Supremo Tribunal Federal (STF). A instituição que a extrema-direita considerava ser possível aniquilar “com um cabo e um soldado” (ver aqui) , e não conseguiram, e que, com as condenações dos golpistas em 2024, passou a ser a meta declarada da sua estratégia política nas eleições de 2026 – conseguir maioria no Senado, para poder destituir ministros do STF.
O que sempre se imaginou a respeito de corrupção no Judiciário, agora está escancarado, graças à atuação deliberada de Vorcaro para “ganhar” ministros do STF – metade dos dez atuais teria recebido dinheiro dele de alguma forma – e além das somas citadas, chama a atenção também a velocidade com que tudo isso ocorreu.
Vorcaro e os seus cúmplices têm muito para contar das relações financeiras com a extrema-direita brasileira, e da sua atuação nas eleições de 2022 e 2024, e agora em 2026. Quanto se saberá realmente de tudo o que foi feito é difícil de estimar, tal o estrago produzido no STF e em outras instituições, a exemplo do BC e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que deveriam ter descoberto a usina de falsificações de papéis de Vorcaro logo que ele começou a vender títulos sem valor. Qualquer especialista do setor financeiro sabe que oferta de remuneração muito acima da praticada pelo mercado deve ser investigada, e que um banco não salta de R$3,7 bilhões para R$82 bilhões em ativos, em seis anos (2019/2025), por competência de seus administradores.
Banco de Brasília
Tanto barulho em torno das relações de Vorcaro com alguns ministros do STF, ajuda a manter na sombra a atuação do ex-governador do Distrito Federal (DF) Ibaneis Rocha, que renunciou para ser candidato ao Senado, e em julho desistiu de concorrer. Ibaneis estava governador do DF quando ocorreu o 8 de janeiro de 2023, e foi afastado do cargo por dois meses pelo ministro do STF Alexandre de Morais. E era o governador do DF quando o Banco de Brasília (BRB) – sociedade de economia mista, cujo maior acionista é o governo do DF –, teria comprado fantásticos R$33,9 bilhões do “combo” (ativos do Master, Will Bank etc.) vendido por Vorcaro. Desse total, R$ 15,7 bilhões em carteiras foram devolvidas ao Master por problemas de autenticidade (créditos falsos). Só que… o BRB aceitou a substituição dos títulos fraudulentos por ativos do próprio Master. Moral da história: o BC, em dezembro de 2025, acusou perda potencial do BRB de R$ 11,4 bilhões…
Congresso
Outra vantagem da concentração do ataque no STF é que mantém na sombra também membros do Congresso que devem ser julgados pelo STF – e que só podem ser investigados com sua autorização –, como o deputado federal Mário Frias (PL), suspeito de ter destinado emenda para o filme de propaganda do líder da extrema-direita no Brasil, condenado pelo STF por tentativa de golpe. Aliás, o mesmo filme que serviu para ocultar recursos de Vorcaro enviados para sustentar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos (EUA).
Com o dinheiro obtido de maneira fraudulenta por Vorcaro de fundos de previdência, do BRB, e de grande quantidade de investidores privados, a extrema-direita mantém sua atuação nos EUA através de Eduardo Bolsonaro, alimentando a belicosidade do governo Trump em relação ao Brasil, contra o STF, a economia nacional, o governo federal, e o processo eleitoral – para o qual conta com o “serviço especializado” (e criminoso) de Fernando Cerimedo, esquemão digital utilizado para fraudar campanhas eleitorais, como fez no Brasil em 2022, e depois também no Chile, Bolívia, Argentina, Peru, Equador e Colômbia.
Quanto dos recursos financeiros das campanhas das candidatas e candidatos da extrema-direita, Flávio Bolsonaro à frente, têm origem nos bilhões de reais roubados do BRB e de fundos de previdência, municipais e estaduais? – Sim, porque os 130 milhões para o filme sobre o papai são “fichinha” perto dos 60 bilhões de reais que por enquanto se estima ser o tamanho do “rombo”.
Fraudes digitais
Um exemplo da atuação criminosa desses esquemas digitais da extrema-direita, movidos a muito dinheiro, é a “notícia” espalhada em grande escala pela Internet em 2022, e circulando ainda hoje, que o presidente Lula teria morrido e que um sósia o substitui. Impulsionada nas redes sociais, essa loucura ganhou reforço com a “Inteligência Artificial”. E tem tanta credibilidade como a afirmação que a Terra é plana. Segundo pesquisa do Instituto Ideia (sucessor do Ideia Big Data), para a plataforma MEIO (https://www.canalmeio.com.br/pesquisa-meio-ideia/), divulgada no início de agosto, 12,5% do eleitorado acredita que um sósia de Lula disputa a presidência. Esse percentual é de 20% na parcela que se dispõe a votar no candidato da extrema-direita. Sobre as mentiras multiplicadas pela Internet, vale a pena conferir no site www.aosfatos.org
Ou seja, o “esquemão” da extrema-direita para implodir o STF, turbinado pelos bilhões obtidos por Vorcaro, financia também a fraude digital, que compartilha impunemente mentiras, para conquistar a simpatia de milhões de eleitores para as fraudes que são seus candidatos e candidatas.
Contando novamente com o STF
A frase inesquecível do ex-senador Romero Jucá (condenado pelo TRF1, em 22/07/2026, a nove anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro) “com o Supremo, com tudo”, em conversa sobre o golpe que então se articulava contra a presidenta Dilma, provavelmente está sendo repetida agora pelos integrantes da organização criminosa liderada por Vorcaro. Pode-se imaginar, pelas grandezas envolvidas, que o plano do golpe continuado é minar o STF a ponto de obter uma solução paradoxal: a nulidade de todos os processos contra a corrupção da extrema-direita, pelo envolvimento de metade dos ministros com o Banco Master/Daniel Vorcaro. Aos que se espantam com essa possibilidade, é didático lembrar da “Operação Satiagraha”, cujo processo foi anulado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Anulação ratificada pelo STF.