Minab168. Assim tem sido denunciado o ataque terrorista à escola primária Shajareh Tayyebeh, que massacrou 120 crianças e suas professoras, cometido pelos Estados Unidos (EUA), com um míssil Tomahawk, dia 28 de fevereiro de 2026, em Minab, província de Hormozgan, no sul do Irã. Todas as pessoas na escola foram destroçadas – as equipes de socorro recolheram pedaços de corpos.
Em tempos de precisão cirúrgica nos assassinatos de cientistas e lideranças políticas e militares do Irã, cometidos por Israel e EUA com drones e bombas, é inaceitável qualquer explicação que tente descaracterizar esse crime, reduzindo-o a um erro de identificação de alvo. Como não houve uma declaração formal de guerra entre os EUA e o Irã, não se trata nem de “crime de guerra”, mas sim de terrorismo de Estado.
Terrorismo é abominável e deve ser sempre combatido, não importa qual seja a sua motivação. E terrorismo de Estado, como Israel faz com o genocídio em Gaza há três anos, e os EUA em 2026 no Irã e na Venezuela – e em tantos outros países, ao longo dos últimos 200 anos –, é mais cruel ainda, porque é realizado por forças armadas regulares, recursos públicos, legislação e a estrutura legal para validar as ações bárbaras. Ou seja, é um terrorismo institucionalizado, comandado pelas lideranças políticas no topo da hierarquia – presidentes, primeiros-ministros.
A resposta de Israel ao ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023, foi e continua sendo terrorismo de Estado, da forma mais cruel e covarde que se conhece. Até dezembro de 2025, Israel havia matado 22 mil mulheres e 16 mil meninas, segundo estudo publicado em abril de 2026 pela (https://www.unwomen.org/en/digital-library/publications/2026/04/advocacy-brief-the-cost-of-war-in-gaza-on-women-and-girls) agência Mulheres das Nações Unidas. No total, de 7 de outubro de 2023 a 6 de agosto de 2026, um total de 64 mil crianças foram mortas ou gravemente feridas por Israel em Gaza, de acordo com publicação da agência das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nos Estados Unidos. (https://www.unicefusa.org/stories/more-50000-children-killed-or-injured-gaza)
Estamos há oito meses do ataque militar dos EUA na Venezuela, em 3 de janeiro, que resultou na morte de quase 100 pessoas, e no sequestro do presidente do país e sua esposa. As alegações iniciais de Trump para atacar a Venezuela foram todas por água abaixo com o “acordo” anunciado por ele há poucos dias, de apropriação de 65 bilhões de barris de petróleo (muito mais do que todo o petróleo dos EUA), quantidade equivalente a 20% das reservas conhecidas venezuelanas.
Todos esses fatos borbulham no esquecimento, às vésperas das cerimônias relativas aos 25 anos dos ataques terroristas nos EUA, em 11 de setembro de 2001, que coincidiu ser a mesma data do golpe de estado no Chile (em 1973), totalmente bancado pelo terrorismo de Estado dos EUA…
Acusar os outros de terroristas, e usar o cinema e a tevê para fazer propaganda do terrorismo alheio, ajuda a desviar o foco de quem pratica terrorismo de Estado há tanto tempo, como os EUA, que se superam em crueldade desde o extermínio dos seus povos originários. Depois no México, de 1846 em diante, e daí em diante a lista dá a volta ao mundo, das Filipinas ao Iraque, chegando inclusive no Brasil, onde foram decisivos no golpe de 1964. Justiça seja feita, terrorismo de Estado não é uma exclusividade dos EUA. França, Reino Unido, Bélgica, Alemanha, Itália, Espanha, Portugal etc. se superaram em atos terroristas nos países africanos, asiáticos e latino-americanos.
O pior é que “(…) não existe uma definição padronizada de terrorismo. Na ausência de uma definição internacionalmente acordada de atos terroristas, a Alta Comissária para os Direitos Humanos insta os Estados a guiarem-se pelos elementos-chave dos atos terroristas previstos na resolução 1566 (2004) do Conselho de Segurança e pela definição modelo desenvolvida pelo Relator Especial.” (https://www.ohchr.org/en/terrorism). Como não há definição, os EUA de Trump podem criar a sua própria, para livrar a sua responsabilidade pelos crimes que cometem, e, ao mesmo tempo, arranjar uma desculpa para invadirem e dominarem países com grandes riquezas minerais – como é o caso do Brasil, a segunda maior reserva de terras raras do mundo. A maior é da China, as reservas somadas dos dois países equivalem a dois terços do total mundial.
As Nações Unidas (ONU) limitam-se a informar que “No mínimo, o terrorismo envolve a intimidação ou coerção de populações ou governos por meio da ameaça ou perpetração de violência, causando morte, ferimentos graves ou a tomada de reféns.” Isso porque a instituição tem menos força política desde que Trump assumiu o seu segundo mandato e agiu para acabar com ela. O texto da ONU, de 23 de janeiro de 2026, é intitulado “Direitos humanos, terrorismo e contraterrorismo”, e conclui afirmando que “Na realidade, as definições nacionais de terrorismo permanecem em grande parte ao critério dos Estados, o que leva a interpretações variadas na legislação antiterrorista interna. Definições ambíguas de terrorismo em alguns Estados resultaram em políticas e práticas que violam as liberdades fundamentais dos indivíduos e das populações, e que discriminam determinados grupos. https://www.ohchr.org/en/documents/tools-and-resources/human-rights-terrorism-and-counter-terrorism-flyer
Talvez o genocídio em Gaza resulte em derrota eleitoral para o grupo do primeiro-ministro de Israel, nas eleições legislativas de 27 de outubro, uma semana antes das famosas “eleições de meio de mandato” nos EUA, dia 3 de novembro, nas quais o atual presidente caminha para ser derrotado, mais pelo desastre na economia do que por suas ações militares (ainda que elas também pesem negativamente). Como as lideranças de extrema-direita dos EUA e de Israel estão muito ocupadas tentando sobreviver politicamente, pode ser que aliviem o pé na ajuda poderosa que têm fornecido à extrema-direita no Brasil, que só tem mais alguns dias de campanha para continuar as fraudes que proporcionaram vitórias eleitorais à extrema-direita de todos os países da América do Sul.